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As estrelas ultrapassam os limites humanos em termos de tempo e de espaço. Elas são eternas e inconcebivelmente maiores do que o homem e a Terra.
Tanto na viagem noturna pelo mar adentro quanto na viagem pelo aprofundamento do nosso mundo interior, a estrela representa a direção, o sentido em que se deve seguir. Um navegante vai em direção da estrela-guia, mas não vai para a estrela. Ele não quer chegar na estrela, mas apenas vai em sua direção.
Buscas como sabedoria, conhecimento de si mesmo, eliminação do ego, desapego, amor universal, super-consciência e outros grandes ideais, também são indicadores de direção, exatamente como as estrelas são para os navegantes. Mas se a direção for encarada como meta, como objetivo, então ela se transforma num objeto de desejo, se transforma em alguma "coisa" a ser conquistada. Se forem objetos, serão desejos do ego, serão apegos.
As estrelas no céu nos mostram que existem coisas muito profundas que são inalcançáveis e que ultrapassam os limites humanos. Sem as estrelas, sem algo profundo que nos direcione e dê sentido à existência, ficamos no mesmo lugar, presos nas mesmas atividades cotidianas, com os mesmos pensamentos. Com o infinito, o eterno e o transcendente como parâmetros, vamos além dos pensamentos de sempre, dos sentimentos mesquinhos e egoístas, ultrapassamos os conceitos e preconceitos. Precisamos de coisas que estão fora da nossa vida diária (o transcendente) para orientar nossa vida.
 
Trecho do livro A sabedoria da Natureza, de Roberto Otsu, Editora Ágora, S. Paulo - ONDE COMPRAR
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