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O céu não é claro nem azul. É a luz do Sol que incide sobre a camada de gases do planeta e dá o aspecto azulado e brilhante que percebemos durante o dia. Mas, à noite vemos como o universo é de fato. Sem a luz do Sol, tudo volta à escuridão, o céu fica transparente e enxergamos a Via Láctea. As estrelas não aparecem à noite nem desaparecem quando chega o dia. Elas estão sempre lá. É a massa de ar do planeta que fica "opaca" com a incidência da luz do Sol e bloqueia a visão das estrelas durante as horas claras.
Isso mostra que podemos nos iludir com o dia, com as coisas do dia, com as coisas diárias, do dia-a-dia. Nos iludimos com as atividades, com a racionalidade, com as coisas imediatas e rasas. Significa que as coisas essenciais estão na escuridão, na noite, no silêncio. As coisas eternas estão escondidas, longe da luz, longe dos holofotes, atrás das cortinas, atrás do brilho e são infinitas e profundas como o universo.
Na Terra, a luz do dia bloqueia a visão das estrelas, ou seja, as coisas aparentes bloqueiam a visão da essência, das coisas universais. Não se trata de valorizar a escuridão em detrimento da luz. Trata-se de ter consciência de que o que se vê não é a realidade total e que existem coisas mais profundas que ficam além do que se vê normalmente de dia e no dia-a-dia.
Quando não existe o céu azul, é possível ver as estrelas. Quando não existem as ilusões das aparências, é possível ver a essência.
 
Trecho do livro A sabedoria da Natureza, de Roberto Otsu, Editora Ágora, S. Paulo - ONDE COMPRAR
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