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Depois que amadurece, a fruta não fica na árvore. Em pouco tempo, ela se desprende do galho e cai. O I Ching - O Livro das Mutações, ao abordar esta fase da Natureza, fala de uma "conexão entre a decomposição e a ressurreição" e diz que "é preciso que o fruto apodreça antes que a semente nova possa se desenvolver".
Para os sábios chineses, a decomposição da fruta representa a conclusão de uma fase e o início de uma nova etapa da vida da árvore. O apodrecimento da fruta não significa término de tudo, mas uma transformação necessária para que o novo surja. É essa transformação que permite que a vida se renove e se perpetue. Dentro do pensamento oriental, esta regra vale tanto para a árvore quanto para o ser humano.
Não temos plena compreensão do que são ciclos naturais quando se trata da nossa própria vida. Muitas vezes, mantemos uma determinada situação por apego, hábito, teimosia, dependência, comodismo ou medo de arriscar e mudar. Em muitos casos, agimos como se fôssemos uma fruta madura que não quer se desprender da árvore. A transformação é inevitável, é a lei da vida.
Uma pessoa que tem consciência disso não se deixa levar por pensamentos negativos quando percebe a realidade transitória da sua vida. Não se desanima pelo fato de que a juventude, o vigor e a capacidade intelectual um dia entrarão em declínio e não terá a eternidade para conquistar tudo o que sonha ou para consertar o mundo. Para uma pessoa evoluída, deixar sementes é mais importante do que comer os frutos e a desintegração não a amedronta.
 
Trecho do livro A sabedoria da Natureza, de Roberto Otsu, Editora Ágora, S. Paulo - ONDE COMPRAR
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