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Ao desenhar ou imaginar uma árvore visualizamos o tronco e a copa cheia de folhas, mas não pensamos nos galhos que se escondem sob o volume da folhagem. Sem perceber, nós valorizamos mais as folhas, as flores e os frutos e, com isso, os galhos são esquecidos. As folhas, as flores e os frutos são importantes, sem dúvida, mas são passageiras, vêm e vão a cada ciclo do ano. As únicas coisas que permanecem - e crescem - são os galhos e o tronco. A essência da árvore é o tronco e os galhos.
Uma pessoa também tem folhas, flores e frutos. São suas roupas, sua beleza física, seus acessórios, seu carro, a maquiagem, os perfumes, o produto da fábrica onde trabalha. Também são seus títulos, seu reconhecimento social, seus conceitos, seu discurso, as obras artísticas e científicas que produz. Mas essas coisas não são a pessoa em si.
A estrutura ética e moral é o tronco de uma pessoa. São os valores e os objetivos interiores mais elevados que dão sustentação à vida de um ser humano digno. Beleza, recursos materiais e resultados são como flores, folhas e frutas da árvore, que merecem ser apreciados, mas não são fundamentais para a vida da árvore. A falta de beleza, de recursos ou de resultados não compromete a existência de uma pessoa elevada, mas a ausência de valores como ética, honradez, justiça, honestidade, respeito humano, firmeza, coragem, entre outras coisas, é como ser uma árvore sem tronco. Esses valores são permanentes numa pessoa evoluída e sábia porque ela sabe que as folhas caem, mas o tronco fica.
 
Trecho do livro A sabedoria da Natureza, de Roberto Otsu, Editora Ágora, S. Paulo - ONDE COMPRAR
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