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O bambu chinês tem muita personalidade: é firme sem ser rígido, elegante sem ser chamativo, altivo sem ser arrogante. Mas ele é, acima de tudo, uma planta simples.
Quem já viu pinturas de aguadas chinesas (shie-i) ou japonesas (sumi-ê), percebeu que o bambu é um tema freqüente. As imagens que representam o bambu se caracterizam pela simplicidade. Duas ou três pinceladas fazem o caule e um mesmo tanto de pinceladas retratam as folhas. Estes poucos traços de pincel são cercados por um grande espaço em branco, na folha de desenho. O resultado é de uma beleza que impressiona. Sob o aspecto formal, a pintura chinesa retrata o mesmo despojamento da planta, com economia de traços. O bambu é um modelo de simplicidade e por isso ele é tão apreciado pelos orientais.
Simplicidade é uma qualidade estética universal. Grandes artistas e pensadores sabem disso. A intenção deles é produzir obras cada vez mais simples, mais limpas e despojadas. Para eles, a simplicidade é uma conquista, uma das principais qualidades de um trabalho, e não uma deficiência.
Pintores como Picasso, especialmente na velhice, Piet Mondrian, Tikashi Fukushima, Juan Miró, Malevitch, Tomie Ohtake, escritores como Manoel de Barros, Mário Quintana, cineastas como Akira Kurosawa, dançarinos como o Kazuo Ohno, entre outros, seguiram este caminho. Eles entendiam, assim como os taoístas, que o essencial é simples. Simples como o bambu.
 
Trecho do livro A sabedoria da Natureza, de Roberto Otsu, Editora Ágora, S. Paulo - ONDE COMPRAR
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