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Quem assistiu aos filmes O Tigre e o Dragão, do diretor Ang Lee, e Clã das Adagas Voadoras, do diretor Zhang Yimou, deve ter reparado nos bambuzais chineses. Um detalhe que chama atenção é que cada pé do bambu chinês se desenvolve isoladamente e não em touceiras como se vê no Brasil. Existe um espaço de cerca de um metro entre um bambu e outro.
O bambu chinês é humilde, precisa de pouco espaço, não é "espaçoso", não toma espaço de ninguém. O bambu cresce reto, "na dele".
Para os taoístas, o espaço do outro é sagrado porque considera sagrado o seu próprio espaço. O sábio quer crescer com retidão, sem desvios, sem interferir na vida alheia, sem fazer intervenções no processo natural da outra pessoa. Tanto o bambu quanto o sábio não querem ocupar o espaço do outro, não fazem comparações, não competem, estão satisfeitos com o que têm porque possuem uma qualidade fundamental: o senso de suficiência.
Os chineses têm uma frase sobre o suficiente que é surpreendentemente simples e óbvia: "Quem se satisfaz com o suficiente, sempre tem o suficiente". Para o bambu, o espaço que ele conta para crescer é mais do que suficiente. O sábio também não quer nada além da sua necessidade. O filósofo italiano Sêneca disse: "Só desejarás a justa medida das riquezas: primeiro, o necessário; segundo, o suficiente".
O bambu está satisfeito com tudo, por isso não sofre com sua situação. O bambu é sereno, despojado, cresce reto e satisfeito com seu espaço. É livre e feliz. O sábio que segue seu exemplo, também.
 
Trecho do livro A sabedoria da Natureza, de Roberto Otsu, Editora Ágora, S. Paulo - ONDE COMPRAR
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