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A água que hoje alimenta e beneficia tudo o que existe na Terra é a mesma desde a sua formação.
Ao beber um copo de água, não se bebe apenas água. Bebe-se todas as memórias da água e toda a história do planeta. A água que bebemos hoje já foi chuva, rio e oceano. Já foi gelo da Era Glacial, sangue do Homem de Neanderthal e lavou as mãos de Pôncio Pilatos.
A percepção do ciclo da água levaram os chineses à idéia de unicidade, e, como conseqüência, a um sentimento de reverência. A água, para eles, não é só sábia, mas, especialmente, sagrada. Como tudo. Para os sábios, assim como a água é uma só, tudo no mundo é uma coisa só. E tudo é sagrado.
A unicidade da água mostra que nada está isolado, nada está fora do todo e tudo forma uma única realidade. Nada é imprestável ou sem função. A nuvem, o rio, a neve, a transpiração, a lágrima, a chuva, todas as manifestações da água têm função. Em essência, nada e ninguém é melhor do que outra coisa ou outra pessoa. Tudo e todos merecem o mesmo respeito, a mesma reverência. A partir da unicidade, os sábios orientais desenvolveram o conceito de compaixão.
A água nos mostra a ligação de todas as coisas, que todos os fenômenos são a manifestação de uma coisa só, de uma coisa que é sagrada, transcendente.
 
Trecho do livro A sabedoria da Natureza, de Roberto Otsu, Editora Ágora, S. Paulo - ONDE COMPRAR
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